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Uma Triste História do Futuro, um conto retrofuturista

Atualizado: 29 de Dez de 2020


de Forrest J. Ackerman (tradução por Rodolpho Camargo)


A seguir, um breve resumo de uma transmissão de rádio recente de um trecho da história We Buy Us a Robot — and What Happened (Compramos um robô— e o que aconteceu, em tradução livre) publicada na American Weekly. Um casal tinha um robô de oito anos de idade e decidiu que estava na hora de comprar um novo, já que Willy estava ficando deteriorado e barulhento e perdendo sua eficiência. Foram então examinar os modelos mais recentes e escolheram Julius, um homem de ferro altamente habilidoso e incapaz de mentir. Tal recurso, no entanto, mostrou-se ser uma desvantagem, pois, ao entrar em casa, declarou com sua voz profunda, oca e mecânica: — Poeira, muita poeira! A esposa ficava sozinha quando o marido estava fora, por isso fez um registro fonográfico do esposo assegurando-lhe o quanto a amava. Inseriu tal registro em Julius e o ouviu. Mas aquilo deixou Julius triste e melancólico. Outro dia, foi encontrado lendo poemas e chorando: Julius estava apaixonado! Percebendo o desalento da própria situação, um dia sumiu. — Ele cometeu suicídio! — gritou a esposa. — Tenho certeza! — Isso é impossível! — assegurou-lhe o marido. — Se ele tentar se afogar, sofrerá um curto-circuito e enferrujará, podendo ser revitalizado e polido como se fosse novo. Se atirar em si mesmo, só é preciso substituir apenas algumas peças. Pular de uma janela só o amassaria um pouquinho. Não é capaz de se enforcar, nem de se envenenar, nem de morrer queimado. Ainda assim, nosso contrato oferece garantia contra perda por suicídio. Bem na hora o televisor acendeu. Era o vizinho de cima. — Meu filho está todo sujo e cheio de graxa — berrou o homem — e a culpa é de vocês! — Nossa? Mas como assim? — perguntou o casal. O vizinho informou um número de série. — É o seu robô, não é? Ele foi ao parque e chamou várias crianças ao seu redor. Disse-lhes que não estava se sentindo bem, deu-lhes chaves de fenda e pediu para que descobrissem o que havia de errado com ele. Alguns minutos depois estava todo espalhado por seis quarteirões. Julius, o homem mecânico, adotara o único método que um autômato conhecia para cometer suicídio.

Este conto foi publicado na revista The Fantasy Fan, Volume 1/nº 7, em Março de 1934. Você pode lê-la na íntegra em inglês clicando aqui. O tradutor Rodolpho Camargo é formado em Letras pela Universidade Sagrado Coração e atualmente faz mestrado em Fonoaudiologia na USP.

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